Discursos

05/08/2017

DISCURSO PROFERIDO NA COLAÇÃO DE GRAU FFB 2017.1

Prof. Tales de Sá Cavalcante (Diretor Superintendente da Organização Educacional Farias Brito)

Prezada Professora Fernanda Denardin, Diretora Acadêmica;

Caro Professor Genuino Sales, em nome de quem saúdo todos os participantes da mesa;

Autoridades presentes;

Colaboradoras e colaboradores da Faculdade Farias Brito;

Prezadas e prezados bacharéis;

Senhoras e senhores;

A todos uma boa noite.

Parabéns, ilustres graduados. Vocês venceram.

Merecem, também, nossas congratulações todos que, de outra forma, realizaram esse sonho, por meio de apoio e incentivo em todas as horas. Em primeiro lugar, às mães e aos pais dos aqui formados. Eles não mediram esforços, nem tempo, em prol da maior herança que poderiam legar aos filhos: a educação. De igual modo, merecem felicitações avós, avôs, irmãs, irmãos, madrinhas, padrinhos, cônjuges, namoradas, namorados, noivas, noivos, amigas e amigos.

Homenageamos, ainda, colaboradores, coordenadores, psicólogos e diretores da Faculdade Farias Brito. Em especial, desejamos felicitar os possuidores do privilégio de maior convivência com nossos alunos. São os que, como professores de nossa Faculdade, diferenciam-se, exatamente porque são educadores, o que se evidencia na afirmação de Rubem Alves. Para o grande pensador, “a diferença entre professores e educadores está no olhar. Os olhos dos professores olham primeiro para os saberes. Seu dever é cumprir o programa. Depois eles olham para os alunos, para ver se eles aprenderam os saberes. Para professores, saberes são fins, alunos são meios. Os olhos dos educadores, ao contrário, olham primeiro para os alunos. Eles querem que os alunos ‘degustem’ os saberes. Todo saber deve ser saboroso”.

É por isso que, durante nosso prazeroso convívio, vocês, que ora se diplomam, degustaram saberes de forma saborosa. Nossos mestres não são apenas professores. Eles são, na realidade, educadores que ministram aulas. Educadores professores.

É sob essa óptica que nossos professores seguem, diuturnamente, a orientação do nosso mestre dos mestres, o imortal Genuino Sales, que, entre outras lições, ensina-lhes: “Educação se faz com talento. Não se faz sem amor.”

Leonardo Resende, um de nossos professores, teve o privilégio de receber uma orientação genuína e genuínica desde a 7ª Série, quando se tornou um dos melhores alunos da história do Colégio Farias Brito. Diante do atual quadro institucional brasileiro, o Professor Leonardo, hoje Juiz Federal, está a iniciar uma Disciplina Optativa, por ele criada e inspirada, chamada Direito Anticorrupção.

Ilustres bacharelas e bacharéis.

Em sua trajetória escolar, vocês se depararam com grandes desafios. Enfrentaram inúmeros obstáculos. Sonharam vitórias. E venceram.

Viajaram inúmeros livros, aulas, ambientes escolares. Trocaram alegrias, olhares, abraços, risos e vitórias com os companheiros de jornada. Tiveram o privilégio de realizar a mais nobre troca com profissionais, quando estes ensinavam e vocês aprendiam. Refiro-me ao mais notável exercício profissional, aliado ao mais exitoso ato da juventude: o processo ensino-aprendizagem.

Ao concluírem os níveis de Ensinos Infantil, Fundamental e Médio, vocês sabiam que o término de um ciclo implicava o início de um novo sonho, um novo desafio. O nível educacional seguinte. Hoje, finalizam um Curso Superior. O passo seguinte já leva a novos sonhos, desta feita na vida profissional, com a opção de sonhar aprofundamentos em Pós-Graduação.

Brilhantes recém-formadas e recém-formados.

Na qualidade de representante de todos que fazem a Faculdade Farias Brito, peço vênia para conceder-lhes alguns conselhos.

Tenham orgulho do seu trabalho.

 

Definam a opção de trabalho da mesma forma que vocês fizeram ou farão ao escolher seu cônjuge. Por amor.

 

Sempre iniciem o seu labor diário com a certeza de que será um dia proveitoso, melhor do que ontem e pior do que amanhã.

Nunca percam o bom humor. Lembrem-se de que, furiosos, vocês dificilmente decidirão bem. Saibam que os momentos de crise e tensão serão aqueles que lhe exigirão mais calma e clarividência, para que surja a solução ideal.

Sempre considerem os aspectos morais e profissionais acima do dinheiro.

 

Procurem sempre inovar e façam de seu ofício um ato de criatividade.

 

Em oposição à conhecida máxima popular, sempre digam aos seus liderados: façam o que eu digo e façam o que eu faço. Assim procedendo, vocês estarão seguindo um dos maiores empresários do Brasil, o cearense Ivens Dias Branco, quando disse: “O exemplo é a parte que demonstra o retrato da alma.”

 

Motivem seus liderados. E lembrem que só não erra quem nada faz.

Sempre procurem dar o melhor de si.

 

Liderem como um técnico de futebol que se revela compreensivo com os esforçados, porém inconformado com os que não suam a camisa.

Sigam Washington Olivetto, quando afirma: “Nunca estou só trabalhando ou só me divertindo. Estou sempre trabalhando e me divertindo, me divertindo e trabalhando.”

Notáveis diplomadas e diplomados.

A atual crise de nosso país obriga-nos a outros aconselhamentos. O Brasil vivencia sua maior crise dos últimos tempos. E o pior: trata-se de uma multicrise, de ordens política, social, econômica e moral.

Nos primórdios, os humanos começaram a se organizar em grupos, e definiram-se os primeiros líderes. Surgiram formas teocráticas de poder. O desenvolvimento levou à formação de grandes cidades. Estas levaram à formação dos Estados.

Os impérios e as monarquias se estabeleceram. Com o passar dos tempos e maior esclarecimento das pessoas, as sociedades foram se organizando de modo a reconhecer que o poder deve emanar do povo, e não de um único ser, que se dizia, inclusive, enviado de Deus.

Diversos pensadores muito contribuíram para a legitimidade do poder pelo povo e para o povo, entre eles Sócrates, Platão e Rousseau. A Revolução Francesa foi um marco nesse sentido, inclusive ao expressar seus objetivos por meio do lema: Liberté, Egalité, Fraternité, ou seja, Liberdade, Igualdade, Fraternidade.

E nós, como estamos no Brasil de hoje? Não estamos bem, mas há exemplos a seguir.

Na companhia de outros diretores de escolas filiadas ao Programa de Escolas Associadas à UNESCO, estive em recente missão no Japão. Lá conhecemos um pouco das escolas, da educação e da cultura japonesas. Na Segunda Guerra Mundial, o Japão foi quase todo destruído. Logo depois, foi reconstruído com a ajuda de um plano de qualidade total, análogo ao do meio empresarial. Foi fundamental o apoio de empresários, entre eles Kiichiro Toyoda, da Toyota, Masaru Ibuka e Akio Morita, da Sony, Soichiro Honda, da Honda, e Genichi Kawakami, da Yamaha Motor. A nosso juízo, um grupo de empresários bem-intencionados e bem-sucedidos poderia ser muito útil em um projeto de novo Brasil.

No Japão, nenhum funcionário público pode ganhar mais que um professor. Após sua graduação, o mestre se submete a concurso. Se aprovado, conhecerá o ambiente da sala de aula como auxiliar de um professor durante um ano. A cada dez anos no exercício do magistério, seu certificado perde a validade, e, por isso, submete-se a uma avaliação para continuar na profissão.

Nas escolas japonesas, além do estudo tradicional, as crianças revezam-se em várias tarefas: ajuda no preparo dos alimentos; transporte das refeições às salas de aula, que, com nova justaposição de carteiras feitas pelos estudantes, transformam-se em refeitórios; colocação da comida nos pratos de colegas e limpeza das salas de aula.

Vimos nas ruas muitos japoneses a usar máscaras, como as de nossas enfermeiras em hospitais. É que estavam gripados e as usavam para evitar o contágio de sua gripe em outras pessoas.

No metrô ou no trem-bala, o uso do celular se restringe à digitação e visão. A voz não é utilizada, em respeito aos vizinhos. Em salões nobres, existem cabines telefônicas sem telefones, para que sejam usadas com celular e o silêncio dos salões não seja perturbado. Diferente comportamento se dá no Brasil, quando a maioria das pessoas sai acompanhada da família ou de amigos e dedica mais atenção a quem está do outro lado da linha, em alto e bom som.

Vimos, ainda, que o cumprimento se faz pela reverência, que, quanto mais acentuada, maiores são a deferência e a atenção. Além de demonstrar respeito, assim se evita o contágio de doenças no contato entre mãos.

Ressalvadas raríssimas exceções, não existe a instituição da gorjeta. Ora, num país onde o ato de receber gorjeta é reprovado, podemos imaginar o que aconteceria se, lá, uma Lava Jato surgisse.

E o Brasil? Tem conserto? Claro que sim. Já atravessamos violentas tempestades, inclusive períodos autoritários. Construímos e consolidamos uma república representativa, e as instituições funcionam.

Hoje, o homem rico também vai preso. Porém, muito se há de fazer. Ainda não exercemos a plena cidadania. Nossos representantes nos Poderes Executivo e Legislativo deveriam seguir as ideias de seus representados, mas não o fazem. Uma prova inconteste de tal fato foi demonstrada na hilária votação dessa quarta-feira na Câmara dos Deputados.

Infelizmente, o que vimos foi um festival de falas, gritos, empurrões, agressões ao vernáculo e comportamentos cômicos. Provavelmente, alguns duvidaram se assistiam a uma sessão do Congresso Nacional ou a um ensaio de MMA ou UFC, que nada tem de universidade, nem de federal e muito menos de Ceará. Outros podem ter achado tratar-se de uma reedição da Escolinha do Professor Raimundo, notabilizada por nosso Chico Anysio, ou da criação de Dias Gomes, o personagem de O Bem-Amado, Odorico Paraguaçu, imortalizado por quem imortal foi.

Segundo o economista Delfim Netto, “o Congresso é o retrato do povo”. Se alguns deputados não nos representam adequadamente, é porque escolhemos mal. E a forma de correção deve se iniciar na próxima eleição.

Atualmente, a maior parte dos brasileiros não consegue votar bem por falta de instrução. Esse mal tem remédio. Precisamos estocá-lo e fazer com que todos os brasileiros usem-no. O remédio não perde a validade e resolve esse e vários outros males. Chama-se EDUCAÇÃO.

Um bom exemplo de valorização da educação traduz-se na formatura do sogro da Diretora da Faculdade Farias Brito, Elmadan Barroso, que, aos 75 anos, está hoje concluindo sua Graduação em Direito, por nossa Faculdade, ao mesmo tempo em que a sua neta, Júlia Barroso, filha da Professora Fernanda Denardin, inicia sua vida estudantil no FB Baby.

Segundo o cientista político sueco Bo Rothstein, “as sociedades pioneiras no gasto com redes educacionais de qualidade para todas as crianças, como a Alemanha, que criou uma rede pública em 1807, são hoje as menos corruptas. A educação eleva a confiança dos cidadãos na vida em sociedade e os torna intolerantes a desvios. Quanto menos enraizado esse pacto social, maior será a corrupção”.

Não podemos, portanto, desanimar, pois nosso país é maravilhoso. Sua gente é simpática, acolhedora, criativa e trabalhadora.

Basta que, a exemplo de outros países, façamos o nosso plano de recuperação. Basta vontade política e o uso de duas armas mais poderosas que as de Hiroshima e Nagasaki. São elas: Sua Majestade A EDUCAÇÃO e Sua Excelência A URNA.

Nobres bacharelas e bacharéis.

Nesta maravilhosa vida, algumas pessoas passam como uma brisa, como se não impressionassem nossa retina. Parecem sem cor, sem cheiro e sem vida. Outras nos deixam sensação oposta. A relação formada na junção dos atos de ensinar e aprender encontra-se na segunda situação, com muita energia, muita vida e imagens inesquecíveis.

A Faculdade já sente saudades de vocês. Esperamos que nossos contatos, quer pessoais ou virtuais, continuem para o sempre.

Aproveitem bem os bons momentos da vida. Conservem a juventude na alma, como vocês fazem com os músculos. Segundo o jovem Genuino Sales, “a juventude é a vida no seu maior esplendor. A essência de todos os seus encantos. O vaticínio da perenidade do amor entre os seres humanos”. A exemplo do nosso Genu, cheguem aos 79 anos, ou mais, com uma jovem mente. Basta seguir Dom Hélder, quando nos ensinou: “O segredo da eterna juventude da alma é ter uma causa a que dedicar a vida.”

Sejam muito felizes, até breve e muito obrigado.

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